domingo, 30 de outubro de 2016

O tempo separou-nos desde a infância cruelmente,
de forma que nunca mais eu te vi e nem mais soube de ti.
Perguntei por ti em vão. Somaram-se anos de desilusões
e tristes lembranças!
O sufoco que eu carreguei na alma e a saudade que eu tive de ti,
foram dissabores amargos, que me acompanharam a vida inteira,
e fizeram de mim um prisioneiro do amor.
"Amor incerto" doí e não tem explicação...
Hoje!
Hoje a noite vestiu-se de negro como de negro estava o meu coração quando, inesperadamente encontrei-te e olhei-te nos olhos, deliberadamente. Pude certificar-me que eras tu e que a tua beleza se mantinha intacta, reafirmando o título da menina mais linda da nossa rua.
Falámos!
Falámos sem pressa. Da tua vida actual, da minha, por onde andámos e inevitavelmente do passado.
Recordámos o tempo da escola, dos momentos carinhosos que
trocávamos, da ambição que tínhamos e percebia-se que havia muita coisa a esclarecer sobre nós.
Como a noite estava fria, convidei-te a minha casa, tivemos longas horas de conversas interessantes, ofereci-te um vinho maduro para adocicar um pouco o ambiente.
Entre conversas e um copo, beijámos-nos.
Beijamos ardentemente como quem tem sede da vida
como se o beijo fosse a nossa sobrevivência e
a pouco e pouco deixámos-nos levar pelo calor do desejo, nessa noite misteriosa que a sorte nos ditou.
Abraçados focamos a noite inteira e
falamos de tudo,
até de ficarmos juntos para sempre.


José Maria... Z L

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

É tão complexo o universo que eu me perdi à procura do oásis.
...Provei o dissabor da vida e pintei quadros por acabar.
Não desisti,
venci as voltas do mundo e hoje tenho a minha guitarra.

José Maria... Z L

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O mar transmite um silêncio poético e esconde mistérios infinitos.
O mar une e separa pessoas.
O mar separou-me da família e amigos numa tenra idade
quando, eu mais precisava do colo da minha mãe e
dos conselhos do meu pai.
Dos meus irmãos ficaram abraços por dar...
Naquela manhã entrei para a estatística
da diáspora.
Tenho saudades!


José Maria... Z L

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Vestia a minha simplicidade e saia à rua,
por entre orvalho e trigais
exibia humildade.
Todo o meu mundo feliz,
resumia-se à volta de um campo alagado.
Ali, descalço e de calções rotos
contava gotas.
...Em causa
estava a minha sobrevivência.
[...] era o meu computador
de então.

José Maria... Z L

domingo, 23 de outubro de 2016

O tempo define um passado
e faz amor com a história,
da fragrância...
nasce o simbolismo.

José Maria... Z L

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Os teus olhos rasgaram os meus como se fossem flechas ou
como se tratasse de um rio, que descia a montanha e desaguava na foz.
Assim, eles atravessaram o meu peito e cravaram no meu coração.
Seguramente não foram só por eles que eu te amei a vida inteira,
mas sim, pela tua sensibilidade, pela forma como sempre me olhaste, ao ponto de eu acreditar que um dia poderias ser minha.
Tantas vezes sonhei alto como se eu fosse um pássaro livre
voando sobre as nuvens e outras tantas vezes eu vi te chegar com os anjos guardando-me, no meu sono.
  Deste-me o teu regaço enquanto eu dormia
e em mim, repousavas o teu corpo.


José Maria...Z L

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Moro na minha casa branca à beira mar. Construí-a para ti antes de te conhecer, muito antes de existires. Construí-a a teu gosto, como se os nossos gostos alimentassem do mesmo gosto.
Moras comigo na minha casa que um dia também será tua, os quartos já tem o teu cheiro e sem eu te ver ouço a tua voz.
Num súbito amanhecer, falamos como se nos conhecêssemos há mil anos, rimos como dois inocentes à procura do mesmo rumo... Às vezes a lua incide seu brilho sobre o mar, a tua imagem reflecte-se na água e eu cobiço-a da minha varanda, por vezes até possuo-a.
Ah!
Se existisses, a minha casa branca um dia seria tua.


José Maria... Z L